sexta-feira, 20 de outubro de 2017

ONU: 7 mil recém-nascidos morrem por dia no mundo

Levantamento de agências das Nações Unidas aponta que, na África Subsaariana, uma a cada 36 crianças morre no primeiro mês de vida. Em países desenvolvidos, a taxa é de uma a cada 333.

Bebê de nove dias na cidade de Bambaya, no distrito de Kono, em Serra Leoa. Foto: UNICEF/Phelps

A cada dia de 2016, 15 mil crianças morreram antes do seu quinto aniversário. Quase metade delas – ou 7 mil bebês – faleceu nos primeiros 28 dias de vida, segundo relatório divulgado nesta semana (19) pela ONU. Documento aponta queda na mortalidade geral de crianças com menos de cinco anos, mas identifica alta na proporção de bebês que morrem durante o período neonatal.

Em 2016, 5,6 milhões de meninos e meninas com menos de cinco anos morreram. O número ainda assusta, mas representa um avanço na comparação com os quase 9,9 milhões de crianças na mesma faixa etária mortas em 2000. Já a proporção de óbitos de recém-nascidos — que morreram no período neonatal — passou de 41 para 46% do total de falecimentos de jovens que não chegam ao quinto aniversário.

“As vidas de 50 milhões de crianças foram salvas desde 2000, um testemunho do compromisso sério dos governos e dos parceiros de desenvolvimento em enfrentar as mortes infantis evitáveis”, afirmou o chefe de saúde do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Stefan Peterson. “Mas, a menos que façamos mais para impedir que os bebês morram no dia em que nascem, ou dias após seu nascimento, esse progresso permanecerá incompleto.”

Se mantidas as tendências atuais, 60 milhões de crianças morrerão antes do quinto aniversário entre 2017 e 2030, metade delas durante o período neonatal. Em 2016, a maioria das mortes de recém-nascidos ocorreu em duas regiões: Ásia Meridional (39%) e África Subsaariana (38%). Nesta sub-região do continente africano, uma a cada 36 crianças morre no primeiro mês de vida. Em países desenvolvidos, a taxa é de uma a cada 333.

Cinco países registraram a metade de todas as mortes neonatais: Índia (24%), Paquistão (10%), Nigéria (9%), República Democrática do Congo (4%) e Etiópia (3%).

O Brasil é uma das nações que têm se destacado por reduzir a mortalidade infantil. Entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade de crianças de até um ano caiu 73,67%, segundo o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do SUS. No entanto, bebês de até um ano ainda morrem no país por causas que poderiam ser evitadas. As maiores vítimas da mortalidade infantil no Brasil são as crianças indígenas. Elas têm duas vezes mais risco de morrer antes de completar um ano do que as outras crianças brasileiras, de acordo com dados de 2011 do DataSUS.

“A menos que façamos mais para impedir que os bebês morram no dia em que nascem, ou dias após seu nascimento, esse progresso permanecerá incompleto. Temos o conhecimento e as tecnologias requeridos – precisamos apenas levá-los aonde são mais necessários”, acrescentou Peterson.

O relatório observa que muitas vidas podem ser salvas se as iniquidades globais forem reduzidas. Se todos os países tivessem atingido a mortalidade média dos países de alta renda, 87% das mortes de menores de cinco anos poderiam ter sido evitadas e quase 5 milhões de vidas poderiam ter sido salvas em 2016.

A menos que a taxa de progresso melhore, mais de 60 países não alcançarão a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU nº 6 de acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos até 2030. Metade dessas nações não atingirá a meta de 12 mortes neonatais por mil nascidos vivos até 2050. Esses Estados-membros registraram cerca de 80% das mortes neonatais em 2016.

Causas da mortalidade

Segundo o levantamento — elaborado pelo UNICEF, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Grupo Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA) —, a pneumonia e a diarreia encabeçam a lista de doenças infecciosas que tiram a vida de milhões de crianças com menos de cinco anos. Esses problemas de saúde representam, respectivamente, 16% e 8% das causas de óbitos.

As complicações do nascimento prematuro e as complicações durante o trabalho de parto ou na hora do parto foram as causas de 30% das mortes de recém-nascidos em 2016. O relatório alerta ainda para os 2,6 milhões de bebês que morrem antes de nascer a cada ano. A maioria desses falecimentos poderia ter sido evitada, segundo a pesquisa.

O documento aponta que o fim das mortes infantis evitáveis pode ser conseguido por meio do acesso a profissionais de saúde especializados durante a gravidez e no momento do nascimento; de intervenções vitais, como imunização, aleitamento materno e medicamentos baratos; e da implementação de serviços eficazes de água e saneamento, dos quais as comunidades mais pobres do mundo estão atualmente desprovidas.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Soluções naturais podem responder por mais de um terço da redução das emissões de que o mundo precisa, aponta estudo

A natureza pode oferecer, de forma economicamente viável, uma redução de emissões equivalente a 11,3 bilhões de toneladas por ano até 2030
Foto: Altug Karakoc/Flickr/(cc)
Medidas que reduzem emissões de gases do efeito estufa por meio da conservação ambiental - tais como restauração de florestas, recuperação de solos e proteção de mangues – podem ser tão impactantes para a mitigação das mudanças climáticas quanto a eliminação completa da queima de petróleo. É o que revela um estudo publicado na segunda-feira, 16 de outubro, por cientistas de uma das maiores organizações ambientais do mundo, a The Nature Conservancy (TNC), e de outras 15 instituições.

A pesquisa aponta que a natureza pode oferecer, de forma economicamente viável, uma redução de emissões equivalente a 11,3 bilhões de toneladas por ano até 2030. Isso corresponde a mais de um terço (37%) da redução total que os países precisam obter para limitar o aquecimento global a 2°C.

Divulgado às vésperas da COP-23 (Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) que será realizada na Alemanha, a partir de 6 de novembro, o estudo reforça a importância de governos, empresas e comunidades incluírem as soluções naturais como parte fundamental do esforço para conter o aquecimento do planeta. Ações como a transição para uma matriz energética renovável e o incentivo aos carros elétricos continuam a ser fundamentais, mas as soluções naturais podem contribuir de maneira muito significativa.

Os cientistas descobriram, por exemplo, que se o Brasil conseguir evitar o desmatamento em seu território, obterá uma redução de emissões em volume quase igual ao produzido por uma potência industrial como a Alemanha. Projetos de reflorestamento podem remover o equivalente a um quarto das emissões dos Estados Unidos, ou quase o mesmo que produzem os setores de navegação e aviação, juntos, no mundo todo.

Uso do território
"Um quarto das emissões de gases de efeito estufa no mundo, hoje, está associado ao uso que fazemos do território. A maneira como vamos administrar esse uso, no futuro, poderá fornecer 37% da solução para a mudança climática. Isso é um enorme potencial, ou seja, se estamos falando sério sobre conter as mudanças climáticas, teremos que pensar em investir na natureza, bem como em energia renovável e transporte limpo. Vamos ter que aumentar a produção de alimentos e madeira para atender a demanda de uma população em crescimento, mas sabemos que precisamos fazer isso de forma a considerar as mudanças climáticas”, afirma Mark Tercek, CEO da TNC.

Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, coordenador do Centro de Agronegócios da FGV/EESP e membro do Conselho Consultivo da TNC no Brasil, a pesquisa também traz desdobramentos importantes para o país. “Esse estudo confirma que o uso mais produtivo e sustentável das áreas agricultáveis, além de ampliar a oferta de alimentos para uma população mundial crescente, pode contribuir substancialmente para a redução dos gases do efeito estufa. Países emergentes e desenvolvidos que queiram despontar como líderes globais precisam agir com base nessa nova realidade”, afirma.


Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza

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Declaração do Administrador do PNUD, Achim Steiner, para o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza.

O tema deste ano para o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza – “Respondendo ao Chamado para Acabar a Pobreza: Um caminho rumo a sociedades pacíficas e inclusivas” – celebra o 25º aniversário da criação dessa data comemorativa e da ideia por trás dela: a de que a fome, a carência de educação e a violência não são inevitáveis; de que a extrema pobreza deve ser algo que todos nós nos empenhamos para erradicar.

Tivemos impressionante progresso na erradicação da pobreza nas últimas duas décadas. No entanto, a despeito de uma riqueza global e um avanço no desenvolvimento humano sem precedentes, desigualdades crescentes e pobreza persistente ainda impõem críticos desafios em todo o mundo. Uma em dez pessoas no planeta vivem com menos de $ 1, 90 (um dólar e noventa centavos) por dia, enquanto oito pessoas no mundo têm riqueza equivalente à metade da população mundial.

A adoção da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, há dois anos, oferecem oportunidade ímpar para lidar com essa situação. O primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, o ODS 1, desafia-nos a erradicar a pobreza em todas as suas formas em todos os lugares até 2030.

Essas formas incluem a fome e a má nutrição, o acesso limitado à educação e outros serviços básicos, a discriminação social e a exclusão, assim como a falta de participação nos processos decisórios.

A Agenda 2030 é uma agenda de desenvolvimento universal que, pela primeira vez, reconhece que as pessoas pobres vivem tanto em países pobres quanto em países ricos, e que as ações executadas em uma parte do mundo podem ter consequências profundas e de longo alcance em outra parte do planeta. Reconhece que as nações dependem umas das outras e devem trabalhar juntas para resolver os mais críticos desafios do mundo.

Erradicar a pobreza requer crescimento econômico inclusivo e sustentável. Isso significa estimular setores da economia onde os pobres tenham emprego; investir em infraestrutura social e física de qualidade onde os pobres possam viver; e oferecer os níveis essenciais mínimos de serviços básicos de saúde e educação, acesso a água potável e saneamento nessas áreas. Significa também dar atenção a fatores de distúrbio e conflito civis e enfrentar tensões crescentes em relação a recursos naturais escassos dos quais a população pobre depende.

Para que as pessoas saiam da pobreza e permaneçam fora dela, sistemas de proteção social bem elaborados podem ser poderosos instrumentos para proteger os grupos mais vulneráveis e marginalizados contra abalos como intempéries, pandemias e crises econômicas que possam levá-los de volta à pobreza.

Neste Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, celebremos o êxito de muitas nações que retiraram tantas pessoas da pobreza e reafirmemos nosso compromisso com a erradicação da pobreza ainda em nossa geração.

Fonte: http://www.br.undp.org